Fontes:
Os avanços que estão elevando eficiência, segurança e sustentabilidade na suportação — e preparando o setor para um novo patamar de maturidade.
A suportação deixou definitivamente de ser vista como um componente secundário das instalações para assumir um papel estratégico nos projetos de engenharia. Em um cenário em que eficiência, segurança, previsibilidade e sustentabilidade são prioridades, soluções industrializadas e digitalizadas vêm redefinindo práticas e elevando o nível técnico das obras. Para Maicon Pereira, Diretor Comercial (C.C.O.) da Hartbau, essa mudança reflete a evolução natural do setor: “as obras estão mais complexas e a tolerância a improvisos diminuiu drasticamente”.
Nos últimos anos, a industrialização da suportação, com sistemas modulares pré-montados, ganhou protagonismo por oferecer maior previsibilidade em custos, prazos e desempenho. A padronização das soluções contribui para reduzir riscos, melhorar o controle construtivo e fortalecer a integração entre engenharia, fabricação e montagem em campo. Os ganhos são especialmente claros na instalação: menor dependência de mão de obra especializada, redução de interferências entre disciplinas e repetibilidade da qualidade. Pereira resume esse avanço afirmando que “a industrialização dos suportes traz padronização, organiza o fluxo de obra e impacta diretamente o cronograma."
Outro ponto relevante é a redução do TCO (Total Cost of Ownership) ao longo da vida útil da instalação. Sistemas pré-montados e padronizados oferecem maior durabilidade, facilitam inspeções e simplificam expansões futuras. Isso resulta em menor incidência de falhas e custos operacionais mais baixos — especialmente quando comparado a soluções improvisadas. Apesar disso, a adoção em larga escala ainda enfrenta desafios culturais, já que a suportação frequentemente é tratada de maneira tardia no projeto, quando decisões importantes já foram consolidadas.
A transformação digital também exerce influência decisiva. O setor está em um nível intermediário de maturidade, mas o uso consistente de BIM tem permitido antecipar decisões críticas, como definição de tipologias, cargas, fixações e interfaces. Embora muitos ainda utilizem o BIM apenas como modelo 3D, Pereira reforça que “a metodologia vai muito além da modelagem — trata-se de gestão integrada da informação ao longo de todo o ciclo de vida do empreendimento.”
O progresso no detalhamento dos modelos, por meio dos diferentes níveis de LOD, é essencial para alinhar expectativas entre projeto, fabricação e instalação. À medida que o LOD avança, o modelo digital se torna mais preciso, incorpora especificações reais e orienta diretamente processos como pré-montagem e logística. Essa integração cria um fluxo contínuo entre engenharia, produção e obra, resultando em maior previsibilidade e menor necessidade de ajustes em campo.
No campo da segurança e normatização, observa-se uma mudança de percepção, ainda que gradual. A suportação passa a ser reconhecida como elemento essencial para a segurança estrutural e operacional, em alinhamento com normas como a NBR 8800, 14762, 5410, 9077 e regulamentações como NR-10 e NR-18. Entretanto, o setor ainda enfrenta desalinhamentos, especialmente quando definições importantes são deixadas para a fase de execução. Para Pereira, a maturidade depende de encarar a suportação como engenharia, com responsabilidade técnica formal e critérios normativos claros: “não dá mais para tratar a suportação como um acessório; ela precisa ser projetada com rigor técnico desde o início.”
A industrialização e a modelagem digital contribuem para elevar padrões de segurança, reduzindo improvisações, atividades em altura e riscos estruturais decorrentes de sobrecargas ou fixações inadequadas. A antecipação de decisões em ambiente digital evita conflitos de espaço e interferências entre disciplinas, reduz retrabalhos e aumenta a confiabilidade da obra.
A sustentabilidade também passou a ocupar um papel central na agenda da suportação. Os avanços recentes incluem o uso de materiais mais eficientes, tratamentos de superfície mais duráveis e soluções que estendem significativamente a vida útil das instalações. Segundo Maicon Pereira, “a industrialização permite controlar melhor o consumo de matéria-prima e reduzir drasticamente os desperdícios, que em métodos tradicionais podem chegar a até 30%.” Com sistemas pré-montados, esse índice pode cair para menos de 10%, ao mesmo tempo em que se facilitam desmontagens, reaproveitamentos e reconfigurações futuras — aproximando o setor dos princípios da economia circular.
O futuro aponta ainda para tecnologias que devem transformar o setor, como automação na fabricação, rastreabilidade digital e o uso de Gêmeos Digitais (Digital Twins). Ao contrário de um modelo estático, o gêmeo digital é alimentado continuamente com dados reais da instalação, permitindo análises de desempenho, manutenção preditiva e total precisão em simulações de expansão.
Para Pereira, a mensagem final é clara: a suportação precisa ser tratada como um sistema de engenharia. A especificação adequada, a responsabilidade técnica formal e o uso de produtos certificados são fundamentais para elevar padrões de segurança, desempenho e sustentabilidade ao longo de toda a vida útil do empreendimento.
.png?width=756&height=421&name=Tech%20Talks%20(2).png)

